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 AP photo by Mark Schiefelbein The writing desk where Laura Ingalls Wilder penned many of the books in her “Little House” novels remains in her former home near Mansfield, Mo. Seventy-five years after the first installment in the series was published, the books continue to be popular internationally Laura Ingalls Wilder books still resonate after 75 years By Marcus Kabel Associated Press Writer MANSFIELD, Mo. — A narrow wooden desk in a corner of an Ozarks farmhouse has been known to move visitors to tears. Some readers have such fond memories of the “Little House” novels about Laura Ingalls Wilder’s frontier childhood that they cry when they walk into her Missouri home and see the desk where she wrote many of the books. April marks the 75th anniversary of the first publication in 1932 of “Little House in the Big Woods.” The story of Laura’s early life in a cabin in 1860s Wisconsin launched a nine-book series that made Wilder a household name, helped by the hit award-winning TV series “Little House on the Prairie” that ran on NBC from 1974-83. Embraced from the start by America’s teachers, the books have been read by or to generations of elementary school children, which has helped to keep the books in continuous print. The series has sold more than 41 million copies in the United States and been translated into over 40 languages, from German and French to Arabic and Japanese. The white clapboard farmhouse where Laura and her husband Almonzo spent most of their adult lives stands on a hillside among rolling pastures and woods in the Ozarks of southern Missouri. The couple moved here to raise apples and horses after losing their first farm in South Dakota and briefly living in Florida. Wilder was already famous in her lifetime and the home was quickly preserved as a museum after her death in 1957 at age 90. “We’ve had people who’ve actually come to tears over it,” tour guide Rebecca Dierksen said about the writing desk at the Laura Ingalls Wilder Historic Home and Museum, which gets about 40,000 visitors a year. “They’re just in awe. So many of them have wanted to come here for years and then they actually walk in the house.” The 40-acre farm the Wilders bought in 1894 for $400 now includes a museum with artifacts from Laura’s collection, including a fiddle her father played in Laura’s stories, a quilt made by her sister Mary and handwritten manuscripts of the books. First-person memoir Laura Ingalls Wilder spent more than 30 years painstakingly developing the rocky farm with her husband before sitting down to write about her childhood on the vanished frontier. She was in her early 60s when she attempted her first draft in 1930, a first-person memoir called “Pioneer Girl.” That roughly 200-page manuscript was submitted to publishers and magazines by Laura’s only surviving child, Rose Wilder Lane, a successful writer, journalist and novelist. The manuscript was turned down but prompted a publisher’s suggestion that Laura rework her stories as a fictional account for children. To this day, Wilder enthusiasts and scholars debate how much Rose was responsible for the content of the Little House series. An experienced editor and author, Rose revised her mother’s handwritten manuscripts and typed them. Ghostwriter? Historian William V. Holtz argued in his 1995 book, “The Ghost in the Little House,” that Rose’s revisions were so extensive that she was actually her mother’s ghostwriter. But that judgment goes too far, say many other Wilder scholars. “I felt that it was a good collaboration,” said William Anderson, author of several Wilder biographies and related histories and a board member of the Wilder Home Association that operates the Mansfield site. “Laura wrote all those books. We have the manuscripts and drafts. Rose was living there on the farm at the time. It was natural that she as an established professional and editor collaborated” with her mother, Anderson said. ‘Phenomenon’ John E. Miller argues in his 1998 biography, “Becoming Laura Ingalls Wilder,” that Laura was a talented writer who provided the story lines and most of the language for her books. Rose, he argued, deserves “major credit for helping shape the material into publishable form and for making revisions that usually — but not always — improved the final product.” Whatever the creative process was, the result was a series that has remained on reading lists for generations of children, teachers and parents. “They’re a phenomenon, they really are,” Anderson said.
Recontando histórias O livro de Rose é formado por histórias, em vez de traduzi-las, vou recontá-las. A Solteirona A professora era uma solteirona. Já tinha 26 anos e , pelo o que diziam , nunca ninguém quisera desposá-la. Ao falar sobre o assunto, ela dizia que era mais feliz assim. Porém, um domingo, na igreja, um cara perguntou se podia acompanhá-la. Todos se espantaram. Ela enrubesceu e aceitou . Naquela semana, ela costurou um novo vestido e o vestiu no domingo seguinte. Novamente, o cara a acompanhou até em casa. A cidade não tinha outro assunto. A mãe da autora, que gostava muito da professora, ficou feliz , já estava na hora de alguém notar os predicados da moça. Mas o pai da autora chega em casa e conta; tinha sido uma aposta! E agora? A aposta envolvia até beijo. Bem, e eles saíam para andar de carroça aos domingos. E houve um acidente! Os cavalos correram, eles caíram! O médico foi atendê-los. O homem estava muito mal, a professora nem tanto. - Seu amigo está mal- avisaram - Amigo, não. Meu noivo. E houve um espanto! Mas enquanto ela se recuperava, ninguém comentava nada, ajudavam levando comida, e ela não perguntava pela saúde do noivo e nem queria notícias. Finalmente, confessou que não queria mais o noivado! E o médico casou-se com ela. A Empregada. Algumas pessoas tinham empregadas, moças que dormiam na casa, ajudavam nas tarefas. Conversavam muito sobre esse assunto. A mãe dizia que não gostaria de ter uma ajudante pois tirava a liberdade. Mas a autora acha que na realidade, o problema estava no pagamento. Um casal da cidade tinha uma empregada. Uma moça feiosa mas trabalhadeira. Dormia do alpendre, numa cama de ferro que ela mesmo pintara de cor de rosa com seu próprio dinheiro. Todos os seus pertences ficavam numa mala. Marido, mulher, duas filhas e a empregada. O marido trabalhava nos Correios. Mas, ao que parece, o grande amor da vida dele não era a esposa, e sim outra moça, que acabou se casando com o dono de uma loja. Mas , como ele ficara sozinho com a esposa um dia de chuva, fora obrigado a se casar com ela. A esposa não fazia trabalhos domésticos, era uma moça bonita. Dizia que o marido não permitia que ela estragasse as mãos. Dava para notar o esforço que fazia para agradar ao marido, e ele sempre correto, mas nunca amoroso. A esposa morre. A cidade toda fica em polvorosa, afinal, a empregada não poderia continuar morando naquela casa. Um homem viúvo e a empregada? Nunca! Uma das senhoras que conversava com a mãe da autora dizendo que NUNCA teria uma empregada, chegou a oferecer casa e comida em troca do serviço!!! Mas a empregada, nem te ligo, continuou a trabalhar na casa para escândalo da cidade. A coisa ficou tão escandalosa ( e ela NUNCA entrava num cômodo da casa sem a presença de uma das filhas do patrão) que um grupo de senhoras foi falar com ela!! Coisa que a mãe da autora se recusou a participar. E foram , praticamente, enxotadas. Mas, não teve jeito: o homem se casou com a empregada. Aí a cidade teve de calar a boca. Agora, que não havia mais perigo, a autora pôde voltar a frequentar a casa do viúvo. E viu que a empregada , apesar de estar casada, continuava a viver do mesmo jeito, no alpendre. Mas morre o dono da loja! E agora a jovem que sempre fora o amor da vida do homem está viúva! Mas ele está casado. E a moça passa a tomar conta da loja, é uma moça realmente bonita , inteligente, e interessante, mas a cidade acha um horror , um escandalo que uma mulher sozinha tome conta de um negócio. Um dia, a autora estava na casa do viúvo, e um relógio desses de abrir estava sobre a cama, a filha do viúvo não conseguia abrir, a autora conseguiu. Abrindo, o retrato que está dentro é o da dona da loja! A empregada fica furiosa, é grosseira com a autora, dizendo que ela era uma metida. A autora não quer mais voltar naquela casa. Em uma semana, ouvem-se gritos! As meninas gritam, pedem socorro. A empregada tinha caído no poço e morrido! Em cima da cama dela, o anel de casamento, e todos os papéis que mostravam que ela tinha bastante dinheiro. Todos esses anos, mais de 15, trabalhando ganhando sem gastar.. o Marido era o herdeiro. E ele pôde se casar com a moça da loja.
Conhecemos os Wilders há muito tempo. Chegávamos de Detroit e compramos um posto de gasolina, ou loja de conveniência , como chamávamos. Uma manha, Almanzo apareceu e meu marido deu uma olhada nos pneus e lavou as janelas e disse com um sorriso : - E senhor Wilder, o que vai querer? - Seal, você sabe que não vou gastar nem dez centavos de gasolina com você, no entanto, você me fez todo esse serviço e só depois perguntou o que eu queria. -Bem, Senhor Wilder, a janela precisava de água e os pneus precisavam de ar.- disse o meu marido, e assim ficaram amigos. Depois disso, Mr Wilder estava sempre lá. Ele entrava mas a senhora Wilder não. Ele a chamava de Bessie e ela o chamava de Manly. Ela ia ao banco, ou ao armazém, ou outra coisa qualquer. Nossa loja era o tipo de lugar onde as pessoas se reúnem para conversar, a gente vendia gasolina e oleo e todas as as coisas e o povo aparecia. Eu diria que a senhora Wilder era a mais falante e tinha um ótimo senso de humor Quando viramos amigos, o Senhor Wilder já era aleijado e usava bengala, ele andava mancando e tinha um sapato de madeira, o sapato tinha de ter uma sola muito forte mas não lembro em qual pé, talvez o direito, mas não tenho certeza. Almanzo já não tinha cavalos, já tinha vendido, mas tinha algumas cabras. Não lembro quantas, 4 ou 5 e ele tirava leite delas manualmente. Tinha um estábulo e tinha um degrau para as cabras subirem, e elas desciam , ele sentava e ordenhava, daí ele se virava para a outra e ordenhava, uma de cada vez, mas , finalmente, ele parou de conseguir lidar com elas e as vendeu. Sempre tiveram um cachorro, até Ben morrer. Ben era um bulldog, sempre tiveram bulldogs, e nunca soube de gatos. Uma época, o cachorro estava com uma bolha na boca e doía, então deitava com a cabeça no colo dela e olhava como se dissesse, não dar pra me ajudar?, então ela pegava salsa e esfregava, então, ele voltava a deitar a cabeça. ele ficou curado. eu sempre chamei Laura de senhora wilder, não teve mais cachorro depois que almanzo morreu em 49 Cheguei a conhecer alguma família dela. A gente tinha o posto de gasolina mas as ruas seriam pavimentadas, e a gente não tinha o que fazer, mas mr wilder pediu que meu marido dirigisse , levando-os a uma viagem a Califórnia, em 38. Meu marido me perguntou se eu queria ir, eu hesitei um pouco e respondei, eu não os conheço tão bem a ponto de fazer uma viagem com eles. então ´e uma boa hora de conhecer, a gente só vai gastar com refeição e alojamento, e dava para conseguir lugar para dormir por 50 centavos a noite. então, a gente saiu de Mansfield me cedo em Maio e voltamos no fim do mês. durante a viagem a gente cantava pequenas doidas canções, a senhora wilder e eu , no bando traseiros, para passar o tempo. walts me around, o willy around and around and around anda I ll give uou some kisses to make up for the misses so waltz me around and around ela adorava essa porque era bem rápida, e a gente cantava várias vezes. ou She drives a cadillac she drives a cadillac i walk to work and backoh boy, that´s where my money goes my money goes to buy my baby clothes I byuy her everthing for o kee her in style she drives a little red ford I ride the running board oh boy , that is where my money goes Durante a viagem, Senhor Wilder colhia galhos para fazer bengalas, ele realmente queria ter uma bengala de cada lugar dos EUA. Durante uma parda, viu uma árvore e quis um galho, meu marido cortou o galho , mas aí viram uma placa dizendo este parque é protegido por lei. Ficaram felizes por não terem sido vistos. Sim, foi uma boa viagem, porque nós voltamos pelas encostas negras de dakota do sul. A irmã de Laura, Carrie, morava lá em Key Stone, pertinho do monte Rushmore, então conseguimos alojamento e ficamos com Carrie. ela tinha a mesma altura de Laura, pequena e era um amor. Um ano ou dois depois dessa visita, Carrie veio a Mansfield e nós passeamos com eles porque queríamos que eles conhecessem partes diferentes de Ozarks. O marido de Carrie não foi, já´tinha morrido. a irmã de Laura, Grace, também morava em De Smet, Grace era mais alta do que Laura ou carrie, era mais parecida com Rose, mas era um pouco cheinha, não gorda, não lembro de Grace ter vindo visitar Laura. Quando viajamos, acho que senhora Wilder tinha termindo de escrever seus livros, talvez não todos, mas ela tinha escrito bastante, eu tenho um exemplar autografado de todos, ela me deu a coleção toda com a recomendação:- Não é para emprestar a ninguém, se quiserem ler, podem ir até a biblioteca ou comprar. Porque se você começar a emprestar, eles vão se rasgar e se perder, então nunca emprestei nenhum Nós não pertencíamos a nenhum clube mas depois da viagem ficamos amigas. Eu era batista e ela metodista e eu não ia aos clubes. Eles eram sozinhos, quando eu os conheci e tinham uma fazenda moderna, a água era encanada até a casa a partir de uma fonte que eles tinham, também tinham encanamentos internos e um banheiro, mas eles não usavam nenhum aquecedor moderno, era propanol, a gene não tinha gás na aquela época e nem agora. O senhor Wilder Na sua solidão, ele tinha uma oficina que o mantinha ocupado. Ele vivia lá. Quando a gente construiu uns apartamentos e os alugamos, o senhor Wilder enfiou na cabeça que tinha de morar num desses apartamentos. Ela me disse: - Eu não agüento mais, Manly está insistindo pra gente morar em um dos seus apartamentos, mas eu disse, ora, pra tal, você tem que se livrar da sua oficina. Faz assim, faça a lista de tudo que você vai vender antes da gente se mudar. Então, ele saiu e demorou a voltar. Quando voltou, nunca mais falou em se mudar. Nunca iria se livrar da sua oficina. O senhor Wilder sabia fazer móveis lindos. Ele nos deu uma mesa feita de cipreste , um cipreste que trouxe da florida.A mesa está novamente na velha casa , a gente deixou o museu ficar com ela, pois significa muito para o público, e quando ele nos deu uma grande cadeira com braços que ele fez de sassafrás a gente deu também para o museu, como se eles morassem lá. Não sei o que aconteceu com o pomar de maçãs ,ele acabou, acho, estragou, e a gente conheceu, mas eles venderam a maior parte do terreno para o Shortes, era grande demais para ele tomar conta, eles pagavam aos poucos , não pagaram tudo de uma vez porque Almanzo disse quero ter alguma renda, se me pagarem por mês eu terei dinheiro todo mês. Pelo que me lembro, Laura gozava de boa saúde quando almanzo morreu,ela costurava, fazia crochê bordava, mas não muito Depois que ele morreu, a gente ia lá toda tarde de domingo vela, a gente a levava a passear, ela tinha um Crysler, mas vendeu. Um homem chamado Mr Hartley na cidade tinha um táxi, então ele a levava até a cidade para as compras, eu sempre levei ela para compras e banco, mas eu tinha esse hotelzinho com 4 quartos e alugava a noite, e tinha de estar em casa para trabalhar então ela ia de táxi . Helen Bukrhis escreveu um livro sobre mim, e até me cansou lembrar tudo o q eu já fiz na vida A senhor wilder passava o tempo lendo, acho, até seus olhos falharem, gostava também do rádio ligado, mas não me lembre se ela ouvia, e não lembro de nenhuma tv não me lembro tão bem quanto antes, por exemplo, não lembre de numa de suas comidas favoritas, a não o ser o fato de que ela e almaznzo adoravam meu bife suíço, e não lembro dela dizer que tinha algum dos livros favoritos, mas falava muitos sobre sua família, e muito sobre Mary e Grace. Ela recebia muitas cartas de crianças, cartas e cartas e cartas. No inicio ela respondia a cada uma, mas quando seus olhos falharam, parou, tinha diabetes, daí a visão ter falhando. De qualquer jeito, ela escrevia uma carta para a professora ler para as crianças. Recebia cartas até do japão. Muitos japoneses chegaram a Mansfiled para visitar o museu, um verão até filmaram o lugar, com helicóptero, A senhora Wilder e sua filha Rose mantinham contato, por telefone e por cartas. Acho que Rose não foi ao funeral o do pai, mas apareceu antes da última doença da mãe, quando Mrs wilder estava no hospital de springfield Uma das coisas que a gente fazia quando ela estava no hospital era levar água para Laura do seu próprio poço ela não gostava da água de Springfield Mrs wilder voltou para a casa que ela e almanzo construiram juntos e lá morreu.
Laura por Laura Entrevista no Missouri Ruralist, 20 de 2 de 18 Nasci numa cabana de troncos a 4 milhas do famoso Lago Pepin em Wisconsin. Lembro de ver o veado que papai matou pendurado nas árvores da nossa floresta. Quanto eu tinha 4 anos, nós fomos para o Território dos índios, e Fort Scott, em Kansas era a cidade próxima. Minhas lembranças da infância tem o som dos tiros de guerra e vejo imagens de índios com a cara pintada. Eu era uma menina moleque e era divertido caminhar duas milhas até o colégio. Nossa filha, Rose Wilder Lane nasceu na fazenda. E foi quando aprendi a fazer todos os serviços de uma fazenda com máquinas, cheguei a guiar seis cavalos e eu montava bem. Claro que não eram selvagens, mas não eram domados.
Em Florida eu era um objeto de curiosidade, pois era a única Yankee local, nunca tinham visto ninguém do norte. As doenças e os gastos de viagem levaram nossas economias, e nós devíamos 150 dólares para pagar 40 acres. Sr. Wilder não podia trabalhar o dia inteiro, assim o pomar e minhas galinhas e a lenha que eu ajudava a serrar e vender nos garantiu sobreviver durante o primeiro ano. Foi quando eu virei uma especialista em usar a serra e ainda posso dar uma ajudinha numa emergência. Mr Wilder diz que preferia a minha ajuda do que muitos dos homens que já havia contratado, e acredite, eu sei cuidar de galinhas, faço que elas botem ovos.
Sempre fui muito ocupada fazendo o trabalho doméstico, ajudando o Homem da Casa quando não conseguíamos empregados, mas eu adoro trabalhar. E é um prazer escrever. E ah! como gosto de brincar! Os dias não são longos o bastante para eu fazer tudo que gosto, e cada ano é mais interessante que o anterior.
Rose deixou um diário. Nele, anotava os pequenos acontecimentos diários , como a entrega dos originais de sua mãe, e sua angústia. Ela sofria muito, era meio deprê, tinha dificuldades em se relacionar com Laura. Vivia dividida entre a raiva que sentia da mãe e seu amor filial. Sentia-se na obrigação de sustentar os pais. Só quando saiu da casa dos pais é que suas cartas para a mãe demonstravam seu amor e carinho. Enquanto morando no mesmo terreno, tinha raivas, angústias. Sentia muita dor no corpo e nos dentes, sentia-se mal a maioria dos dias. Sabia que o problema era mais dela do que do que dos pais. Vivia preocupada com dinheiro. E, aparentemente, não havia tanta preocupação assim, mas vivia insegura. Sustentava um rapaz que conheceu na Albania, me deu a impressão de que ela teve um romance com o rapaz, apesar da grande diferença de idade entre eles. Sua colega Troub ( era o apelido, vinha de Trouble, problemas!) talvez fosse mais do que amiga, mas nada no texto indica isso. Troub morou com ela em Rocky Ridge.
Laura , em meados de 1930, terminou de escrever sua memórias de infância . Escreveu direto, tudo na primeira pessoa, baseada só em suas lembranças. No dia 7 de maio entregou o manuscrito a Rose, que levou dez dias para datilografar e algumas revisões. O resultado final tinha duzentas páginas e Rose o enviou a seu agente em NY, esperando que ele encontrasse alguma revista que se interessasse em publicar como uma novela em série. Mas, enquanto isso, separou parte do material que Laura escreveu e o organizou em uma história de vinte páginas intitulada Quando vovó era uma menininha. Certamente achando que daria um livro ilustrado pra crianças pequenas. Ao escrever sua história a lápis, Laura inseriu várias notas nas margens para Rose. Sem dúvida, mãe e filha conversaram pessoalmente sobre as correções. Carl Brandt , o agente, tentou várias revistas, mas todas se recusaram a publicar a história, mas houve algum incentivo. Graem Lorimer do Saturday Evening Post achou que Uma menina Pioneira era uma excelente trabalho, um material fascinante e muito inteligente e informou que o Post teria comprado se já não tivesse comprado outro com o mesmo tema. Mas que a revista poderia se interessar se fosse reescrito , menos biiográfico, mais ficção, como um livro. Rose queria ainda tentar publicar em capítulos. Mudou de agente literário, e , meio que se desculpando, pediu que este novo agente conseguisse também publicar o texto de sua mãe. O agente disse que não gostou muito, achou que não havia dramaticidade suficiente, parecia ser uma escrita bem feita de uma senhora de idade que estava contando numa cadeira de balanço sem nenhum tipo de teatralidade. Ironicamente, se alguma revista tivesse aceitado, hoje Laura não seria famosa. A transformação de Laura de uma memorialista a uma novelista começou quando Berta Hader, uma amiga de letras de Rose enviou uma cópia do livrinho Quando vovó era menininha para o departamento juvenil de uma editora Knopf . A editora gostou mas achou que, em vez de um livro ilustrado pra criancinhas, Laura deveria aumentá-lo , de sete mil palavras para umas vinte e cinco mil, com mais detalhes sobre a vida cotidiana dos pioneiros, incluindo alimentação, roupas, brincadeiras, fabricação das balas das armas, de maneira que interessasse a crianças de 8 , 9 anos, nas suas primeiras leituras. Também achou que usar Ma e Pa não era bom e que um título mais forte era necessário. Rose escreveu para casa dizendo que o editor adorou o texto, e todos também, porque você descreve com muita perfeição, dá pra ver o que você descreve. Lara poderia começar a trabalhar na revisão antes de Rose voltar pra casa, e , na carta, Rose recomendava que ela procurasse o original Quando vovó era uma menininha e explicava o que os editores recomendavam. É a história de seus pais, alinhavada , tudo que tirei do seu manuscrito. Rose também sugeriu que Laura comprasse outro bloco de papel e escrevesse mais quinze mil palavras, se ela achasse mais fácil escrever na primeira pessoa, não tinha importância, pois Rose mudaria para terceira. E ainda disse: claro que não contei que dei uma revisada na minha máquina de escrever porque as mudanças que fiz,como você vai ver, são imperceptíveis, nem mesmo pode se chamar de edição, praticamente tudo é seu, palavra por palavra. Laura levou dois meses para escrever , Rose entregou para Fiery (editora da Knopf) a biografia que Laura escreveu mas ela também não se interessou. Mas achou que seria legal manter Ma e Pa, pois mostraria o clima da época. No dia 8 de maio, Laura foi tomar chá com Rose e entregou a ela uma história chamada Vingança, Rose levou duas semanas para datilografar e mexer na história e entregou para seu agente com o nome A spool of threead. No dia seguinte, na quinta feira, Laura chegou na casa de Rose no café da manha e ambas rascunharam as quinze mil palavras para o livro infantil que Knopf sugerira. Rose terminou de escrever 56 páginas na sexta. No sábado Laura chegou e leu, e ela e Almanzo jantaram com Rose. No domingo, Rose terminou de editar e copiou o primeiro capítulo. passou dois dias datilografando. 4 horas de terça, Laura apareceu para ler o último capítulo. Na quarta, preparou o manuscrito para postagem. No bilhete que foi junto, rose dizia que esperava que gostassem pois significaria muito para sua mãe. E ainda acrescentou: não sei qual é exatamente a minha participação no texto pois mamãe me consulta sempre. Mas a editora Fiery tinha ido para Europa, e só voltou no meio de agosto. Enquanto isso, Laura e Almanzo viajaram, aí a Knopf resolveu publicar o livro com o título Uma pequena casa na floresta, depois de tentar várias alternativas e acharam o original adorável. Rose pediu que George Bye cuidasse do contrato, mandando o dinheiro diretamente para Laura. Porém, chegou uma carta da Fiery dizendo que a Knopf decidira conter custos e fechar o departamento infantil. Indicou , então, a Harper and Brother. E, certamente, a própria Fiery recomendou e entregou o manuscrito pra essa editora. Vitoria, a editora, a principio não gostou da idéia, mas depois de ler, disse que havia mágica no jeito de contar, parecia estar ouvindo em vez de lendo. Ainda pediu que Laura autografasse para ela o primeiro livro. E disse: você me permite que eu faça algumas mudanças editoriais , transições entre a história e as historinhas que estão no livro? Serão algumas mudanças mas garanto que vão aumentar as vendas. E acrescentou a palavra Big no título para equilibrar com o Little . Little house in the Big woods e contratou um ilustrador conhecido. Dia 18 de dezembro vVrgiia dava as boas novas, que o guia literario infantil tinha escolhido o livro para ser o lançamento de abril. As provas chegaram em Rocky Ridge dia 20 de janeiro de 32 e Laura se sentou para o chá com Rose antes de corrigi-las, no final de março, recebeu a cópia do autor. e foi lançado dia 6 de abril. 
Se quiser, depois fale os motivos, e qual o MENOS Bom :_)) 
Bem, também sou tradutora e sei como é. Durante anos eu rezei, como Laura, " Com Deus eu me deito, com Deus eu me levanto, por obra e graça do espírito santo" Não é nada disso! o original é: Now I lay me down to sleep, I pray the Lord my soul to keep. If I should die before I wake I pray the Lord my soul to take"
O que seria, literalmente Agora me deito para dormir Rezo a Deus que tome conta da minha alma Se eu morrer antes de acordar Imploro que o Senhor leve minha alma.
Estou comparando 'A beira do Riacho com Shores of Plum Creek. O tradutor Luis Fernando deixou algumas frasespara trás. Por exemplo, os olhos do norueguês, traduzidos como " claros" na realidade eram " Tão claros que pareciam um erro"
Encontrando novos detalhes, vou passando!
Como
mobiliar uma casa (mais um dos textos da laura, traduzi direto, ainda não reli! quando tiver tempo eu corrijo)
Alguém
disse: os pensamentos são coisas" e a atmosfera de cada lar depende dos
pensamentos de seus moradores. Passei uma tarde na casa de uma amiga. Era uma casa
nova, toda com móveis novos, mas me pareceu meio vazia. Fiquei pensando qual
seria o motivo dessa sensação e me
lembrei do que aconteceu quando a minha
casa estava nova. Eu não conseguia deixar a sala de estar com cara de lar.
Eu mudava as cadeiras de lugar, mudava os quadros de lugar e nada. Nada parecia
modificar a sensação de frieza e de vazio que eu percebia cada vez que entrava
na sala.
Então, um
dia, fiquei em pé no meio da sala pensando no que deveria ser melhorado. Me
ocorreu que precisava de alguém que passasse por lá todos os dias e enchesse a
sala com pensamentos de amizade, alegria e hospitalidade.
Todos
sabemos que existe um espírito em cada casa. Um tipo de clima composto pelos
sentimentos e pensamentos das pessoas que moram nela, como uma fotografia de
grupo composta de indivíduos. E este espírito nos encontra assim que a gente abre a porta.
Se os
membros da família são mal-humorados e brigões, a gente percebe rapidamente. A
gente pode não entender o que está errado mas queremos cair fora
rapidinho. Se é uma casa de pessoas
boas, de bom humor, generosas, há uma sensação de calor, e não há vontade de ir
embora. á vezes você se sente cerimonioso, outras , tão á vontade, sentindo que
a gargalhada vai sair com facilidade. Pobreza ou riqueza, antigüidade ou
modernidade, nada disso afeta os sentimentos, mas sim a personalidade dos
habitantes.
Cada
indivíduo tem sua parcela de responsabilidade sobre o clima da casa, mas a mãe
pode moldar seus desejos.
Há um
tempo, li um poema que mostrava as palavras de um marido a sua esposa, e
decorei uma parte: Eu amo a minha mulher porque ela ri, porque ela ri e não
leva tudo a sério.
Tenho
certeza de que a casa de pessoas assim deve ser um lugar ótimo para se visitar,
pois uma boa gargalhada supera as dificuldades e dissipa as nuvens mais
escuras. E a mulher do poema tinha bom humor e boas intenções.
Vamos ser
alegres! A gente não tem o direito de roubar o brilho do dia de nossa família
da mesma foram que não podemos roubar a bolsa de um estranho. Vamos ser felizes
em nossas casas e mobiliá-la com pensamentos felizes pois a gente é o tapete na
cor certa, e na exata maciez e os móveis confortáveis e lindos da casa!
Quando
os provérbios brigam. setembro de 1918
Tinha sido um dia trabalhoso e eu estava
muito cansada, quase dormindo quando lembrei que não tinha cerzido umas roupas
para o Dono do Lar. Daí, devo ter sonhado, porque na minha imaginação, vi que
aquele ponto descosturado tinha aumentado muito, e rasgado em enormes
proporções.
Ao mesmo
tempo, uma voz familiar soou nos meus ouvidos: um ponto cerzido economiza
outros nove!
Me senti
muito desencorajada imaginando a enorme tarefa que tinha pela frente e lastimando
que meu esquecimento tivesse causado o aumento do rasgão em nove vezes, daí, em
outro ouvido, uma voz alegre falou: nunca é tarde para consertar!
Ah! minha
avó tinha uma querida amiga que costumava a encorajá-la a trabalhar até tarde para manter as roupas em ordem. me senti impelida a começar a emendar
rapidamente a roupa, mas parei quando uma vez surgiu de um canto escuro
dizendo; uma corrente não é mais forte do que seu elo mais fraco.
Deve
alguém colocar vinho novo em velhas garrafas? disse outra. Claro que não, pensei, então
porque colocar um remendo novo em roupas velhas?
Mas agora
as vozes pareciam estar a minha volta. Pareciam disputar e brigar e discordar. Ah!
que teia emaranhanda a gente faz quando se começa a prática da ilusão!
disse uma voz oleosa e eufórica.
Nas a
prática traz a perfeição, falou uma voz mais jovem com doçura, embora de um
jeito despudorado. E, se você não conseguir de primeira,tente outra
vez" gorjeou uma vozinha com um silvo fazendo o espaço ficar repleto
de risadas gostosas.
Tentando
obviamente colocar os jovens em seus lugares, um velho provérbio com voz muito
grave falou lá do corredor: crianças devem ser vistas mas nunca ouvidas!
e uma vozinha respondeu: da boca das criancinhas sai a verdadeira sabedoria.
Estava realmente
ficando interessante. Não tinha percebido quantos provérbios discordam entre
si. Agora , uma dupla de vozes se fez ouvir continuando o debate. Uma pedra
em movimento não ganha limo, disse uma voz desagradável e cheguei a ver um
velho provérbio com longas barbas brancas, - Mas uma galinha podadeira nunca
engorda, retrucou sua companheira num tom brilhante.
- Ah, sim,
honestidade é a melhor política, você sabe,- veio a resposta em tom frio,
comercial, como um corte.- Um tolo e
seu dinheiro em breve se separam, disse uma voz leve, fina, entre os dentes
com uma caracteristica estranha que me fez segurar a minha bolsa e apertá-la
contra o peito.
- Ah! o
dinheiro é a raiz de todo mal, porque não se livrar dele? respondeu uma voz alegre com uma ponta
de gargalhada. Mas agora, parecia ter o perigo de uma verdadeira briga porque
ouvi as palavras: semeadura de aveia selvagem.. falado num tom frio e
sinistro enquanto uma voz zangada dizia: não há tolo pior do que um velho
tolo! e uma voz ameaçadora disse: nunca é tarde para consertar. Ah!
lá estava a velha amiga da minha avó com outro significado em suas palavras!
Daí, com
meus botões, repeti novamente as
palavras: nunca é tarde para consertar,e, novamente, uma visão daquela
roupa com um rasgão enorme. Devo? a essa hora da noite? mas uma voz macia sussurrou nos meus
ouvidos. Que cada dia tenha seus próprios males. e, com um sorriso para
a amiga da minha avó, mergulhei nos mais justos dos sonos.
Não
dependamos dos especialistas! setembro de 1916
As
roupas ficam muito mais esterilizadas se não são passadas a ferro depois de
lavadas. disse um
médico num artigo solar e fresco que li outro dia. Não é uma novidade
maravilhosa principalmente em dia quente de verão? Não tenho passado roupas de
baixo, meias, lençóis e toalhas há anos. Eu sabia que tinha uma boa razão por
não fazê-lo! mas sempre me senti um pouco culpada... A ciência está ajudando a
dona de casa! Agora, em vez de temermos o que os vizinhos vão falar sobre a
nossa preguiça quando descobrirem que não passamos toda a roupa a gente pode
dizer: Ah! nunca faça isso! só mesmo as roupas externas. Não é higiênico passar
a roupa que está em contato direto com o corpo! Não devemos estragar o ar
fresco e o sol que ficou nas roupas, sabe, é muito mais saudável usá-las desse
jeito, é o que os médicos dizem."
Sério, existe alguma coisa muito gostosa nos
lençóis que usamos limpinhos, secos pelo ar e sol. Compare, veja como você
dorme com mais suavidade.
Temos uma
enorme inabilidade em ver as coisas que estão bem no nosso nariz. Só percebemos
quando algum especialista nos aponta. Seria bom esquecermos os outros quando as
coisas não são tão graves. A gente está acostumada demais a ser ensinada,
apontada, aconselhada, e nosso cérebro é tão bom quanto os alheios.
Eu, por exemplo,
gostaria de saber quem é que inventa os
móveis. Certamente não é uma dona de casa. Mulher alguma faria um móvel
desses. Talvez, se algum médico ou economista doméstico nos mostrasse a sujeira
desnecessária e o trabalho extra causado pela altura dos móveis, nos
movimentariamos para que eles fossem diferentes. Senão, vamos continuar
quebrando a nossa coluna e extenuando nossos músculos, ou deixaremos tudo de
lado e a poeira que se dane.
Os móveis,
principalmente os do quarto que precisam de mais limpeza, são distantes o bastante do chão para que a
sujeira e a poeira se acumule debaixo deles mas não altos o suficiente para que
se consiga limpar o chão sem arrastá-los. Pior, não se encostam direito nas
paredes mas sempre deixam uma fresta por onde a poeira se esconde. A única
maneira de limpar o chão e a parede é tirá-los do lugar, limpar e colocar de
volta. porém, arrastar guarda-roupas pesados é uma trabalheira e se perde muito
tempo.
Armários
embutidos facilitam as coisas, um pequeno armário embutido e uma penteadeira
bem leve substituem o pesado guarda-roupa e nada de limpar , em cima, embaixo,
atrás. Que os armários grudem do chão ao teto, seja no quarto ou na sala.
Carta resposta de Laura Ingalls Wilder para a prima Lottie Axtell 1948
Querida
prima Lottie
Sua carta
foi uma surpresa deliciosa. Já faz tanto tempo desde a última vez que tive
notícias suas, e como você diz "os anos e a idade rastejaram em silêncio
sobre nós"
Que pena
que você esteja com reumatismo. Minhas mãos não são tão ágeis como costumavam
ser, mas ainda estou muito bem para os 81 anos que completarei em
fevereiro.
Mainly está
bem fraco, e está com seu pé aleijado. Está com noventa e um anos.
Vivemos
sozinhos na nossa velha fazenda e eu faço todo o trabalho da casa.
Pa e Ma
morreram há anos e Mary morou com Carrie até o fim da vida, que foi bem depois
da morte de nossos pais.
Carrie se
casou e morou em Black Hills, pertinho de Rapid City. Ela morreu em Junho , há
dois anos.
Grace se
casou com um fazendeiro e moravam há sete milhas de De Smet. Ela já morreu há
muitos anos. Nem ela nem Carrie tiveram filhos. Sou a única da família que
ainda vive.
Ás vezes me
sinto sozinha, mas isso só acontece quando fico sem fazer nada e tenho tempo de
pensar. Estou sempre apressada fazendo o trabalho da casa e escrevendo o máximo
que posso para manter em dia com a correspondência que recebo de meus leitores.
Os livros vendem bem.
Tive mais
do que 200 cartões de natal e cartas para responder.
Rose mora
em Connecticut. Ela se chama Rose Wilder Lane e talvez você já tenha lido algum
de seus livros ou artigos que escreve em revistas.
Mande para
Alice todo meu amor e diga que esperarei por sua carta. Que bom que você esteja
com ela. Estou feliz com sua carta e espero que você volte a me dar notícias.
muito amor
Laura
Ingalls Wilder
..................................................................................................
Os
descentes de Robert Arthur Axtell e Leticia jane (carpenter) axtell são primos
de Laura Ingalls. O pai de Robert Arthur, Dr. Milton Blachly Axtell se mudou
de Sheakleyville, PA mais ou menos em 1856 e seus filhos nasceram
em Pepin, Wisconsin,lugar de nascimento
de Laura Ingalls. Pepin é a inspiração do livro "uma casa na
floresta." Samuel (8-626) , irmão de Robert Arthur's casou-se com a irmã de Lottie, Millicent Ann
Carpenter (1869-1960), então seus descendentes também são parentes de Laura Ingalls Wilder. A carta acima
foi copiada em maio de 1980 do
Notes from Laura Ingalls Wilder Memorial Society, Inc. in Pepin,
Wisconsin. Pertencia ao filho da Lottie, Arthur Milton Axtell.
A irmã mais
velha de Ma , Martha Jane Quiner, se casou com Charles Carr Carpenter. Os
Carpenters tiveram vários filhos incluindo
Lettice Jane Millicent Ann.
Uma casa na
floresta " não menciona os primos do lado de Ma. A prima Lotty nos livros não é esta Lottie Carpenter Axtell. Biografias de Laura
'as vezes mencionam que Milton Blachly
Axtell era o médico de Pepin. Alice é a
filha mais nova de Lottie Alice May Axtell (9-758).
Muito interessante o artigo sobre o Cap Garland! Mas a foto dele "mais velho" só pode estar errada... Ele morreu alguns dias antes de completar 27 anos e não poderia, de jeito nenhum, ter chegado a virar um senhor grisalho algum dia.

Laura escrevia versos. E escreveu diversos poemas sobre fadas. Tenho alguns no livro Litte House in the Ozarks (estou esperando ver se consigo o livro com todos os poemas) Hoje eu traduzi o primeiro Seguem o original e a tradução
Para
onde vão as fadas
Nem se os
sinos da noite tocam As fadas
do- Sol não vão deitar nem mesmo
dormem nas flores ao som das
canções de ninar
Elas são
tão ocupadas que
trabalham sem parar giram em
volta do mundo com o sol a
viajar
Enquanto
você está dormindo as fadas
fazem serão e vão
pintando cerejas lá nas
terras do Japão
Os jardins
de papoulas da China com seus
botões quase em flor estão no
caminho das fadas e elas
enchem tudo de cor
E assim as
crianças felizes já sabem,
nas ilhas do mar, que a Fada-do-Sol
aparece se a gente
começa a brincar
Where Sunshine Fairies Go The sunshine fairies cannot rest When evening bells are rung; Nor can they sleep in flowers When bedtime songs are sung. They are such busy fairies, their work is never done. For all around and round the world They travel with the sun And while you´re soundly sleeping They do the best they can A-painting cherry blossoms In far away Japan. The poppy fields of China, With blossoms bright and gay They color on their journay- And thenpass on their way. And all the happy children In ilslands of the sea Know little Ray O´Sunshine, Who plays with you and me.
Oi! estou lendo Little house in the Ozarks. Na apresentação, o autor cita esses pensamentos de Laura: Finalmente estou começando a aprender o que é a doçura: as coisas simples da vida é que são as verdadeiras.
A gente se amontoa nas coisas que não são necessárias como o corvo faz pilhas de pedrinhas brilhantes. A gente repete palavras como papagaio até perdermos o sentido de seus significados: buscamos esta ou aquela novidade, e pegamos um velho pesamento e os vestimos com tantas palavras que o pensamento real se perde na vestimenta como uma mulher magra numa saia balão, e então exclamamos: que pensamento novo maravilhoso eu tive!!
Não há nada de novo sob o sol, diz o provérbio. Penso que o significado disso é que há várias verdades ou leis da vida e , não importa o quanto a gente pense que evoluiu , a gente não consegue fugir delas. Por mais que estruturemos complexamente a nossa vida, devemos voltar àquelas verdades e descobrimos que andamos em círculo.
São as coisas simples da vida que a fazem valer a pena, a doçura das coisas fundamenteais como amor, e dever, trabalhar e descansar.
Datas
10 de
janeiro de 1865- nasce Mary
7 de fevereiro de 1867- nasce Laura -moram em
Winsconsin, numa pequena fazenda conhecida como casa da floresta no livro mas
Pa Ingalls entra no carroção e vai morar na casa de troncos em Moontgomery
County, Kansas (território índio)
3 de agosto
de 1870- nasce Carrie. Expulsos pelas tropas federais, de volta ao carroção,
vão para o riacho das ameixeiras em Minnesota.
1-de
novembro de 1875- nasce Charles Frederick,
1876- morre
Charles Frederick
23 de maio
de 1877 nasce Grace. Eles vão para Burr Oak em Iowa, mas voltam para Minnesota
1979- todos
caem doente com escarlatina, menos Laura. Mary fica cega. Pa começa a trabalhar
em De Smet , em Dakota
1885- Laura
casa com Almanzo
1886 nasce
Rose. A plantação não vinga, pegam difteria
1889- nasce
e morre o bebê menino e a casa pega fogo
1890- Laura
se muda para Springlake, Minnesota.
Depois, seguem para Flórida.
Meados de
1892- voltam para De Smet, Almanzo pega trabalhos estranhos e Laura costura
17 de julho
de 1894- seguem em viagem para Ozarks, Missouri
22 de
agosto de 1894- chegam em Missouri compram o terreno pedegroso de 40 acres, mas
só 5 estava já vazio. Junto, 440 mudas de macieiras (depois de plantadas ,
levaram 8 anos para dar maçãs)
1895-
plantaram milho e batatas.Com o dinheiro ganho com ovos, batatas e venda de
madeira e amoras que Rose colhia, compraram um porco e uma vaca
1897- o pai
de almanzo dá de presente a eles uma casa em Mansfield e eles vão morar lá. Uns
anos mais tarde, vendem a casa e vão morar em na fazenda
1903- Rose
se forma, já morando com a tia Elisa Jane em Lousiana
fevereiro
de 1911- laura começa a escrever no Missouri Ruralist 1912- a casa fica pronta.
Com o
dinheiro da fazenda e do jornal, Laura pode visitar a filha e o genro. O tempo
passa, Rose escreve.
Já mais
velhos, a estrada número 60 é construída, e eles começam a vender parte da
terra deles.
1930, Laura
começa a escrever as histórias,
1932 é
publicado Uma casa na floresta.
( dados tirados de um artigo escrito em um jornal, incluso no livro I remember Laura)
Obs.: Laura não tinha muitos livros, tinha livros dos clubes aos quais pertencia. Fora isso, adorava livros sobre cowboys! no final da vida teve diabetes e quase perdeu totalmente a visão. Jogava paciência, e gostava dos livrinhos de faroeste, desses de banca de jornal. Não tinha tv.
Palestra de
Laura em Moutain Grove Society Club. 1931
Esta palestra foi dada quando Rose estava ao lado . Lembrem-se de que eu traduzi , mas quase literalmente, pois a pressa em dividir com vocês é grande. Mesmo assim, espero, em breve, postar a última palestra de Laura, quando Rose não estava perto. Nesta última, Laura pediu conselhos a Rose, e Rose escreveu um bilhete. Bem, é BEM diferente. Acho que Rose fez mais que datilografar, copidescar e passar os textos de laura da primeira pessoa para terceira. Lendo os textos de Rose e os de Laura, sei não.
Meu
trabalho
Espero que me perdoem por escolher como tema
da palestra o meu trabalho, pois não tive outra escolha. A história infantil
que estou escrevendo não me deixa pensar em outra coisa.
E, novamente,
tenho de pedir condescendência pois vou ler a palestra. Faz muito tempo que não
falo em público. Sou como um dos meninos que vi recentemente em uma prova oral.
Ele me disse estava com tanto medo que achava que ia morrer e também
impressionado como os joelhos tremiam.
Quando
comecei escrever para crianças achei que seria apenas um único livro. Sempre
que me lembrava das histórias que meu pai contava, achava que outras crianças
deveriam ouvi-las. Eram boas demais para serem esquecidas.
Daí,
escrevi Uma casa na floresta.
Foi um
trabalho de amor e realmente é uma homenagem ao meu pai. Um desenho a nanquim
de um pai e de uma mãe é o que a primeira ilustraçaõ mostra
Não
esperava muito do livro, mas tinha esperança de que algumas crianças gostassem
das mesmas histórias que eu gostava.
Mas,surpreendentemente
o livro recebeu o prêmio do Junior Literary Guild de 1932. Estava já na sétima
edição, e continua forte.
Logo
comecei a receber cartas das crianças, queriam mais histórias. Era a mesma
frase que eu ouvia de Rose: Ah, Mamma Bess, conta outra!
Então, escrevi O jovem fazendeiro, a
verdadeira história da infância de Mr. Wilder. Tinha sido anterior à minha e
num cenário diferente, Uma casa na floresta tinha se localizado na fronteira de
Winsconsin, enquanto o jovem fazendeiro trabalhava e brinccava no nordeste do
estado de Nova Iorque.
Mais uma vez, minha caixa postal se
encheu de cartas pedindo mais
histórias.
Minha
resposta foi Uma casa na campina, com mais aventuras de pa,Ma Laura,
Mary e a neném Carrie. Novamente a
história era veridca mas rolava num ambiente bem diferente, Era o território
índio, quando Kansas era só aquilo.
Agora, em
vez de florestas e ursos e veados, como em Uma casa na Floresta, ou
cavalos, gado e porcos como em Jovem Fazendeiro, lá estavam os índios
selvagens e lobos, e fogo na planície, rios em inundação e soldados americanos.
De novo,
ouvi Conta mais! e aí, para
onde eles foram?
Depois de
ter escrito esses livros, notei que as crianças gostam de histórias antigas,
assim, agora , quando tenho tempo, trabalho em outra história que deve ser
publicada em breve. Conta a história dos tempos de pioneiros no oeste de
Minnesota, com nevascas, com a praga de gafanhoto de 1873, e os primeiros dias
de escola de Laura, de trabalho duro e brincadeiras. Deverá se chamar A beira
do riacho.
Escrever
esses livros está sendo uma experiência muito prazerosa e me deu amigos
espalhados pelo mundo.
Professores
me escrevem dizendo que suas turmas lêem e ouvem os livros com muito interesse.
Uma professora em Minneapolis me esceveu dizendo que meus dois primeiros livros
são leitura obrigatória em todo terceiro ano no estado.
Existe um
fascínio com a escrita. O uso das palvaras já é um estudo bastante inteessante.
Dificilmente a gente acredita na diferença que faz usar esta ou aquela palavra
até o momento em que procuramos pela palavra exata que dê as nuances de um
significado, qual a cor exata daquilo que você quer dizer. Como uma pintura, só
que em vez de tintas são palavras. Já tinha pensado nisso? Palavra tem cor.
A única
coisa idiota que as palavras têm é a tal da ortografia.
Muita coisa
a gente aprende durante a escrita. Por exemplo, ao escrever sobre a praga de
gafanhoto... Minha memória era de um dia muito quente. Para ter certeza, pesquisei e soube que a temperatura deve ser
entre 68 a 70 graus para gafanhotos comerem bem e deve estar acima de 78 para a
fêmea não apenas por seus ovos mas para por mais de 20 ovos por vez.
Escrevendo
uma casa na campina, não conseguia me lembrar do nome do chefe dos índios que
salvou os brancos do massacre. Levei semanas pesquisando, Quando escrevemos
livros que serão lidos em sala de aula por crianças, estes detalhes são
importantes, devem estar certos e os manuscrito é submetido a especialistas,
antes da publicação.
Aprendo com
esse trabalho que, quando eu volto no tempo com minhas memórias, , eu poderia
ir ainda mais longe, e mais longe, trazendo da neblina do passado coisas que
estavam escondidas.
Aprendi
que, se a mente é permitido lidar com as lembranças, mais e mais detalhes vão
surgir e a lembrança fica mais claro.
Talvez
vocês já saibam disso, mas eu ouso
dizer que a menos que você não tente, naõ percebe-se que imenso armazém a
memória é, e com dá pra buscar entre suas lojas se quiser. Devemos ter cuidado,
sobre as coisas que a gente se permite lembrar
Também, pra
minha surpresa, descobri que vivi uma vida bem interessante. Talvez nenhuma de
nós perceba como a nossa vida é interessante até que se comece a observa-la por
um ponto de vista diferente. Tente! você vai adorar!
Ainda ,
escrever me mostrou mais uma coisa: Passear pelas histórias, como um fio de
outro, é o mesmo que pensar sobre os valores da vida. eram coragem, auto
confiança, independência, integridade e ajuda mútua. Alegria e humor eram vitais para dar coragem.
Na
depressão que seguiu a guerra civil, meus pais, como tantos outros, perderam
todas as economias na falência do banco. Eles mexeram na terra dura na
fronteira das grandes florestas em Winsconsin. Lutaram com o clima e o medo dos
índios no território índio. Durante dois anos seguidos perderam a colheita por
causa dos gafanhotos. Sofreram frio e calor, trabalho duro e privação como
tantos outros naquela éeoca. Quando possível, transformavam o ruim no bom. Se
não, agüentavam. Nem eles, nem os vizinhos mendigaram por ajuda. Ninguém, nem
do governo, ninguém devia nada a eles,. Deviam tudo a si mesmos, e pagaram a
dívida. Encontram seu jeito.
Seu jeito
antigo, com seus valores , valem ainda hoje para nos ajudar nas horas difíceis.
A gente precisa de confiança, coragem e
integridade.
Quando a
gente lembra do nosso tempo difícil, este é o mais leve dos antigos, e isso nos
ajuda a dar coragem, mesmo quando as coisas não andam bem. E agora, eu devo
dizer: se algum dia você se sentir um pouco chateado com sua vida, tente uma
nova linha de trabalho, como um hobby, você vai ficar surpresa com o que vai
acontecer!
 Nelie Oleson é o resultado da combinação de três meninas. Nelie Owens (foto) que era um ano mais moça que Laura, tinha um irmão chamado Willie e seus pais eram os donos de um armazém em Walnut Grove. Genevieve Master, a menina mimada , filha dos antigos donos do hotel onde a família de Laura morou e trabalhou. Esta usava roupas bonitas e tinha os cabelos em louros cachos, como os de Nelie Oleson. E Stela Gilbert, que era uma menina pobre, mas paquerava Almanzo. Laura teve o cuidado de mudar os nomes das pessoas más de seus livros. Fez o mesmo a respeito da família com quem morou quando foi professora aos 15 anos.
Noriko
Suzuki esceveu uma tese de pós gradução para a uversidade de Tsukuba no Japão.
Ela estudou o livro O longo Inverno, que foi usado pelo General Dougals
Macarthur e as forças de Ocupação para
ensinar aos japoneses ao jeito americano de viver.
Foi a mulher do general MacArthur quem recomendou que os livros de Laura
fossem traduzidos e publicados tanto no Japão quanto na Alemanha.
Em maio de
48, 100 livros estrangeiros, sendo 76 americanos e e 24 ingleses, tiveram seus
direitos de tradução e comercialização no Japão. Eram livros sobre arte religião, ciência e
literatura infantil. 3/4 eram pra leitores em geral e 1/4 destinado a
estudantes. O longo inverno foi o livro mais procurado pelos editores
japoneses, e, quem ganhou a concorrência foi a Cosmopolitan Publishing co.
Gal
MacArthur viu os livros da Laura como um aliado para inculcar a democracia
americana nas criancas japonesas. Ele, que passou sua infância em Kansas, se
identificava com os pioneiros. Ele mesmo diz: Como todo pioneiro eu sabia usar
uma arma, aprendi a andar a cavalo e atirar antes de ler ou escrever, antes
mesmo de andar e falar.
O grande
charme do Longo inverno nos leitores japoneses reside nas semelhanças entre a
vida da família Ingalls e a vida dos japoneses em tempo de guerra. E ensina a
lidar com a adversidade. Por exemplo, enquanto o inverno continua, Laura fica
sensível e chateada. Ao confessar sua chateação , seu enjôo de comer só aquilo, a
mãe diz: Não se queixe, Laura, nunca se
queixe do que você tem. Sempre se lembre que tem sorte de ter.
Os títulos
dos capítulos ensinavam aos Japoneses: " Quando há força de vontade";
Não estamos famintos de verdade. ; Não vão conseguir nos vencer.
Esses
títulos lembravam os slogan de guerra japoneses. Luxo é nosso inimigo. Não queremos nada até vencer , frases
que cada pessoa repetia para si mesma acreditando na vitória japonesa. Mesmo quando o Japão se entregou, o
imperador Hirohito falou desses temas em seu discurso no radio"
continuar durante o incontinuável e aguentar o inaguentável
As palavras
do imperador, que ainda era um deus para eles, foram repetidas e citadas
durante vários meses. O Longo inverno era a história de paciência,
perseverança, determinação e apreço, que eram necessários as mulheres e crianças
em tempo de guerra. Um dos leitores japoneses escreveu para Laura.
Sua
história nos trazia uma brisa na nossa casa devastada. Dava esperança de
construir um novo Japão. Agora eu acho que era essa força que me encantava nos livros. tudo no livro,a s
coisas feitas a mão, a vida dura da família, etc., me era familiar, pois também
sobrevivi 'a guerra. As cenas que a família de Laura divide a pouca comida,
nunca ninguém vai entender a dureza sem ter vivido uma guerra. e a cena quando
o trem tão esperado chega, ouvir o apito do trem, essa cena somou-se ao meu
próprio longo inverno, me dando esperança.
No pós
guerra japonês, O longo inverno funcionou para mostrar que a democracia
americana baseada no pioneirismo contem algumas contradições ideológicas. O
historiador John Dower diz que a ocupação pelos quarteis generais contem uma
contradição inerente desde o começo pois foi autoritária no entanto, regida sob
o nome de igualdade democrática. Quando o longo inverno foi traduzido pro
japonês, as palavras da mãe freceberam o tratamento de discurso de acordo com a formalidade da linguagem hierárquica japonesa, enquanto
as palavras de do pai eram traduzidos na linguagem casual masculina
Parece que
o quartel general não notou as contradições. Na história homens e mulheres
tinham diferentes tarefas, de homens dominavam a arena pública. As relações e
gênero nas esferas sociais da família Ingalls eram tão familiares e ideais para
o Macarathur que nem questionou. (tradução livre de um blog encontrado na rede)
Certamente, volta e meia nos vemos
relendo contos de fadas. Uma nova edição, um desenho animado novo, e lá vamos
nós com sobrinhos, filhos e netos comer a maçã envenenada.
Também nos pegamos relendo livros,
como quem visita velhos amigos. Já sabemos o prazer que vamos ter na visita,
mas esquecemos alguns detalhes. Assim como filmes.
Já o que normalmente acontece com quem
viveu Laura Ingalls é diferente. Não importa a idade que tínhamos quando fomos
apresentadas a ela e à sua família. A gente se apaixona. Mais que isso: ama.
Pra sempre.
E por quê? O que será que essa autora
tem de especial para um determinado público? ( Ou será que a pergunta correta seria o que que esse público
tem em comum?)
O fenômeno Laura Ingalls é mundial.
Para os americanos, pode ser que seus livros representem o orgulho dos
pioneiros, dos desbravadores, trabalhadores puritanos, os tais que fizeram a
América. E para nós, brasileiros? E para os franceses? Céus, e para os japoneses??
Ganhei meu primeiro livro aos nove
anos de idade. Presente dado pela minha melhor amiga de colégio. Tudo a ver.
Apesar de já ter o apelido de "traça" por viver enfurnada nos
livros, li a primeira página e não me pegou. Um dia de chuva, reli, aí foi
direto. Sentada na janela do quarto, atrás da cortina azul, li tudo sem parar.
Os demais volumes foram sendo
comprados, lidos, decorados, emprestados, retornados. E aqui estão, com
manchas, com minhas cores dos lápis Jonh Faber ( ainda não eram Faber Castell)
e , com a mesma intensidade do encanto.
Qual o mistério de Laura Ingalls?
Levanto algumas hipóteses:
1- A
história é real. Assim, a autora escreveu com verdade, mesmo se , por
orientação editorial, tenha omitido certas partes. Não há a morte do irmão, não
há o trabalho no hotel. No entanto, a terrível praga de gafanhoto, quase
bíblica, está lá. E a fome. A história é real sim. Tão real quanto imaginamos a
nossa própria história.
2- A autora
não se idealiza. Apesar dela ser a protagonista da trama, como em todas as
histórias reais, ela não se idealiza. Não se faz de heroína, não faz concessão
à mentira. Por exemplo: sua irmã Mary com sua aparente bondade, é mostrada com
todas as implicâncias e rivalidades de irmãs. Laura permite que nós, leitores,
achemos sua irmã , várias vezes, uma chata. Está sempre chamando atenção de
Laura e não permite que esta , ao descrever algum evento ou paisagem seja
lírica ou fantasiosa. Deve ser espartana.
Laura demonstra sentir raiva, sentir inveja, revolta. Como todas nós
sentimos, e , acredito, lutamos contra esses sentimentos. Então, nos
identificamos com Laura .
3- Manual
de sobrevivência. Com um pouco de esforço, poderemos, a partir do livro,
construir uma casa de tronco ou de tábuas; costurar, fazer comidas, queijo, e,
até mesmo se encontrarmos uma árvore,
tirar o tal açúcar de bordo. Há um
enorme encanto no making of, em saber como uma estrada de ferro era construída.
Laura também ajuda a nos mostrar como a vida pode ser vivida sem algumas
tecnologias. E ficamos salivando com
suas descrições de refeições! Tantas crostas crocantes, douradas e fumegantes
que não há quem resista.
4-
História. Seus livros , além de contar uma história, nos localiza na história.
Sabemos dos gostos, das modas, do contexto histórico fora dos heróis. Sabemos
como era a vida antes da burguesia amornar tudo. Quando as leis eram feitas por
Deus, pela comunidade e pela sobrevivência. Quando o Pai, por exemplo, forja um
documento para amedrontar um possível ladrãod e cavalos, a moral e a correção
formal se acaba. Ao contrário, tudo vale para impedir que o cara saia sem
pagar.
5 - Estilo.
Aí, agora quem se encanta é a escritora. Ela é capaz de descrever um por do sol
de milhares de maneira! É uma coisa de louco. Algum dia farei isso, vou coletar
os exemplos. Compilarei os pores de sol.
Em todos os seus livros o sol com sua beleza no nascer ou no poente
ilumina as páginas. Compreensível, tendo em vista a crueldade do frio, que os
enfurnava em suas casas aquecidas com um único fogão. Mas a autora consegue
descrever cada um de um jeito. Um talento!
Como são vários os exemplos, vou fazer
de outra maneira. Vou terminar esses
pensamentos com passagens do livro O jovem fazendeiro, livro que Laura
não viveu, ouviu de seu marido (aliás, vocês acham que ela era apaixonada por
Almanzo? Foi algum dia? ) o relato, e com seu talento, nos faz acreditar
estarmos ouvindo de primeira mão. Escolho as várias maneiras de descrever os
potros, os cavalos que Almanzo tanto apreciava. Divirtam-se e encantem-se!
"Gostava
de cavalos. Ali ficavam eles, em suas baias espaçosas, limpos, lustrosos, de um
marrom brilhante, com seus compridos rabos e crinas negras. Os cavalos
trabalhadores, tranqüilos e prudentes, ruminavam placidamente seu feno. Os de
três anos de idade enviavam os focinhos através das grades e pareciam murmurar
entre si. Então, suavemente, fungavam com suas narinas um sobre o pescoço do
outro; um deles fingia morder e todos relinchavam, rodopiavam e pulavam
brincando. Os cavalos velhos viravam a cabeça e olhavam como avós para os
netos. Mas os potros corriam excitados em suas patas magras, olhando
espantados.
Esticavam
as orelhas e seus olhos brilhavam suavemente quando o viam. Os de três anos
avançavam sofregamente e enfiavam as cabeças para fora a fim de acariciá-lo com
o focinho. Seus focinhos, com alguns cabelos duros, eram macios como veludo, e
e em suas testas, os cabelos finos e curtos eram lisos somo seda. Seus pescoços
arqueavam-se altivamente, firmes e redondos, e as crinas negras caíam sobre
eles como pesadas franjas. A gente podia passar a mão ao longo daqueles pescoços firmes e curvados, sentindo o calor
que havia por baixo da crina. "
"Suas
narinas palpitavam quando respiravam, suas orelhas moviam-se tão rápidas como
pássaros. Sacudiam a cabeça com um adejar de crinas e pateavam delicadamente com
suas pernas esbeltas e pequenos cascos, e seus olhos eram cheios de vivacidade.
"
"os
cavalos trotavam vivamente sacudindo os cordões de suas campainhas que
tilintavam. A respiração saía de sua narina s em forma de vapor e os patins do
trenó chiavam"
" eram
éguas prudentes e sóbrias. Quando iam para o pasto não relinchavam nem galopava
como os potros; olhavam ao seu redor, deitavam-se e rolavam uma ou duas vezes e
depois começavam a comer capim. Quando era arreadas caminhavam tranqüilamente
uma atrás da outra, fungavam o ar primaveril e esperavam pacientemente que lhes
prendessem os tirantes.
.."gostavam de trabalhar na primavera, puxavam a grade para cima e
para baixo através do campo...Besse e Beleza esticaram as orelhas e marcharam
mais vivamente. ",
"Eram
Morgans perfeitamente iguais, exatamente ndo mesmo tamanho, da mesma forma, do
mesmo brilho castanho no corpo inteiro, com as mesmas estrelas brancas nas
testas, Arqueavam os pesçocos levantavam elegantemente suas pequenas patas
"são nervosos, cheios de vivacidade e gentis como gatinhos "as
reluzentes crinas negras e as caudas ondulavam no ar. Seus corpos lisos
despendiam brilhos castanhos e suas patas delicadas mal pareciam tocar o chão.
rodavam e rodavam, como uma melodia.
As cabeças
dos potros elevavam-se, seus focinhos se esticavam para a frente; suas cirnas e
caudas esvoaçavam com a velocidade e suas patas moviam ao mesmo tempo, como se
fosse de um só potro"
"Os
lustrosos cavalos do pai achavam-se atrelados ao reluzente carro.. Os cavalos
velozes do pai ultrapassaram todos os outros, carros , carros e carruagens,
Ultrapassaram cavalos cinzentos, cavalos pretos e cavalos cinzentos malhados.
"Todos os potros grandes esticaram as
orelhas. Um potro grande avançou na direção de Almanzo, depois outro. Os seis
potros grandes estavam todos avançando. Eram tão belos, livres e grandes
sacudindo as crinas e mostrando o branco dos olhos. O sol fazia brilhar seus
fortes pescoços arqueados e os músculos de seus peitos. Súbito um deles disse:
- Uuuuuush! Um deles escoiceou, outro guinchou, e de repente todas as cabeças
se levantaram, seus rabos subiram, e seus cascos trovejaram no chão. Sua ancas
castanhas e os rabos pretos levantados haviam-se voltado para Almanzo. Viu sues
cascos e seus randes peitos avançando diretamente para ele. Viu joelhos castanhos levantados no ar, uma
barriga redonda e pernas traseira s no alto. Costas castanhas passavam por ele
com estrondo. "
"olharam os belos cavalos baios,
castanhos e alazães da raça Morgan, com suas esbeltas pernas chatas e suas
patas pequenas e elegantes. Os Morgans sacudiam suas pequenas cabeças e seus
olhos eram suaves e brilhantes. Os
puros-sangues, com sus corpos mais compridos, pescoços mais finos e ancas
delgadas. Os puros-sangues eram nervosos, suas orelhas tremiam e seus olhos
mostravam o branco. Alem deles, três cavalos grandes, cinzas, malhados. Suas
ancas eram redondas e duras, os pescoços grossos e as pernas pesadas. Pêlos
compridos e espessos escondiam suas grandes patas. As cabeças eram maciças e os
olhos tranqüilos e bondosos. "
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