Recontando histórias
O livro de Rose é formado por histórias, em vez de traduzi-las, vou recontá-las.
A Solteirona
A professora era uma solteirona. Já tinha 26 anos e , pelo o que diziam , nunca ninguém quisera desposá-la.
Ao falar sobre o assunto, ela dizia que era mais feliz assim.
Porém, um domingo, na igreja, um cara perguntou se podia acompanhá-la. Todos se espantaram. Ela enrubesceu e aceitou . Naquela semana, ela costurou um novo vestido e o vestiu no domingo seguinte. Novamente, o cara a acompanhou até em casa.
A cidade não tinha outro assunto. A mãe da autora, que gostava muito da professora, ficou feliz , já estava na hora de alguém notar os predicados da moça. Mas o pai da autora chega em casa e conta; tinha sido uma aposta!
E agora?
A aposta envolvia até beijo.
Bem, e eles saíam para andar de carroça aos domingos. E houve um acidente! Os cavalos correram, eles caíram!
O médico foi atendê-los. O homem estava muito mal, a professora nem tanto.
- Seu amigo está mal- avisaram
- Amigo, não. Meu noivo.
E houve um espanto!
Mas enquanto ela se recuperava, ninguém comentava nada, ajudavam levando comida, e ela não perguntava pela saúde do noivo e nem queria notícias.
Finalmente, confessou que não queria mais o noivado!
E o médico casou-se com ela.
A Empregada.
Algumas pessoas tinham empregadas, moças que dormiam na casa, ajudavam nas tarefas. Conversavam muito sobre esse assunto. A mãe dizia que não gostaria de ter uma ajudante pois tirava a liberdade. Mas a autora acha que na realidade, o problema estava no pagamento.
Um casal da cidade tinha uma empregada. Uma moça feiosa mas trabalhadeira. Dormia do alpendre, numa cama de ferro que ela mesmo pintara de cor de rosa com seu próprio dinheiro. Todos os seus pertences ficavam numa mala.
Marido, mulher, duas filhas e a empregada.
O marido trabalhava nos Correios.
Mas, ao que parece, o grande amor da vida dele não era a esposa, e sim outra moça, que acabou se casando com o dono de uma loja. Mas , como ele ficara sozinho com a esposa um dia de chuva, fora obrigado a se casar com ela.
A esposa não fazia trabalhos domésticos, era uma moça bonita. Dizia que o marido não permitia que ela estragasse as mãos.
Dava para notar o esforço que fazia para agradar ao marido, e ele sempre correto, mas nunca amoroso.
A esposa morre.
A cidade toda fica em polvorosa, afinal, a empregada não poderia continuar morando naquela casa. Um homem viúvo e a empregada? Nunca!
Uma das senhoras que conversava com a mãe da autora dizendo que NUNCA teria uma empregada, chegou a oferecer casa e comida em troca do serviço!!!
Mas a empregada, nem te ligo, continuou a trabalhar na casa para escândalo da cidade.
A coisa ficou tão escandalosa ( e ela NUNCA entrava num cômodo da casa sem a presença de uma das filhas do patrão) que um grupo de senhoras foi falar com ela!! Coisa que a mãe da autora se recusou a participar.
E foram , praticamente, enxotadas.
Mas, não teve jeito: o homem se casou com a empregada. Aí a cidade teve de calar a boca.
Agora, que não havia mais perigo, a autora pôde voltar a frequentar a casa do viúvo. E viu que a empregada , apesar de estar casada, continuava a viver do mesmo jeito, no alpendre.
Mas morre o dono da loja! E agora a jovem que sempre fora o amor da vida do homem está viúva! Mas ele está casado.
E a moça passa a tomar conta da loja, é uma moça realmente bonita , inteligente, e interessante, mas a cidade acha um horror , um escandalo que uma mulher sozinha tome conta de um negócio.
Um dia, a autora estava na casa do viúvo, e um relógio desses de abrir estava sobre a cama, a filha do viúvo não conseguia abrir, a autora conseguiu. Abrindo, o retrato que está dentro é o da dona da loja!
A empregada fica furiosa, é grosseira com a autora, dizendo que ela era uma metida.
A autora não quer mais voltar naquela casa.
Em uma semana, ouvem-se gritos! As meninas gritam, pedem socorro. A empregada tinha caído no poço e morrido!
Em cima da cama dela, o anel de casamento, e todos os papéis que mostravam que ela tinha bastante dinheiro. Todos esses anos, mais de 15, trabalhando ganhando sem gastar.. o Marido era o herdeiro.
E ele pôde se casar com a moça da loja.